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REVISTAS
ALÉM DOS GIBIS
IMAGENS |
No decorrer dos anos 90, Lobo aparecia em tantas revistas que quase não havia coerência entre suas personalidades. Em seu gibi mensal, ele exagerava na violência e parecia meio bobo. Na revista da L.E.G.I.Ã.O., ele não tinha muita utilidade e às vezes os roteiristas inventavam alguma “desculpa esfarrapada” só para ele não participar ativamente das histórias. Como coadjuvante de outros personagens, sua personalidade se adaptava à necessidade da história. O Maioral parecia um esquizofrênico, sem ter uma definição clara e precisa dos limites de suas características ou de suas capacidades (por exemplo: em algumas revistas ele agüentava porrada durante horas, em outras, uns soquinhos eram suficientes para deixá-lo desacordado). Em 1996, ainda surgiu o desenho animado do Super-Homem, no qual Lobo apareceu em uma história de duas partes chamada “The Main Man” (Maioral, em inglês). Ao menos no desenho, o Maioral continuava com uma personalidade próxima da original, embora logicamente adaptada à censura livre do programa. A única diferença era física: ele tinha quase o dobro do tamanho do Azulão (talvez para justificar o fato dele ser tão forte quanto o kryptoniano).
O gibi de Lobo foi cancelado em 1999. Para os mais otimistas, um curto período no “limbo” poderia até ajudar o personagem, pois daria tempo para “descansar” sua imagem e alguém poderia renová-lo algum tempo depois. No ano seguinte, em abril de 2000, Alan Grant e Simon Bisley lançaram o especial “Batman/Lobo”, uma das melhores histórias já publicadas do Maioral. Seria o pontapé inicial para uma retomada de Lobo se não fosse Peter David e Eddie Berganza, respectivamente roteirista e editor da Justiça Jovem. Uma aventura do grupo de heróis adolescentes chamada “Sins of Youth” fez com que todos heróis adultos virassem crianças e vice-versa. No final, depois que todo mundo já tinha voltado ao normal, surge um irritado “Lobinho”: o mesmo poder que transformou os heróis em crianças também mexeu com o Maioral, porém ele não voltou ao normal. O que parecia uma idéia interessante para brincar um pouquinho com Lobo, acabou se tornando quase um “assassinato” de sua personalidade. Até o final de 2001, “Lobinho” participou ativamente da Justiça Jovem e deixou de lado grande parcela de sua violência. Na verdade, ele estava muito perto de ficar totalmente bonzinho se não fosse a imposição da DC Comics de que ele voltasse a ficar adulto e a criação do clone defeituoso Slobo. A confusão que esse “Lobinho” criou só não ficou maior porque Keith Giffen queria retomar o personagem na aguardada minissérie “Lobo Unbound”, que está prometida para este ano. O primeiro passo para recuperar o conceito original de Lobo, porém, foi o lançamento, em meados de 2002, da revista “DC First”, escrita por Giffen, que trouxe o que seria o primeiro encontro entre Lobo e Super-Homem.
Apesar de Alan Grant ter escrito todas as revistas regulares de Lobo, é consenso entre a maioria dos fãs que Keith Giffen (que, na série mensal, participou apenas como co-roteirista na edição 58) é o escritor que tem a melhor visão da personalidade do Maioral. Ele mesmo já disse em diversas entrevistas que não gostava muito da versão “censura livre” que aparecia nas revistas regulares, considerando-a um equívoco editorial da DC Comics. Como afirmado antes, o gibi “DC First” foi um primeiro passo para a “re-reformulação” do personagem, já que o mesmo estilo empregado no especial deve ser seguido na futura minissérie “Lobo Unbound”, com acréscimos generosos de violência gratuita junto com um roteiro consistente, o que poderá trazer Lobo de volta aos bons e velhos tempos... pelo menos até a bagunça começar de novo.
texto: Lucio
Luiz | ||
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